7 de julho de 2017

A globalização e seus principais fluxos

A fase atual de expansão do capitalismo ficou conhecida como globalização. Ela é consequência do avanço tecnológico em diversos setores da economia e da modernização dos sistemas de transportes e telecomunicações, que ocorre de forma diferenciada no meio geográfico e é responsável pela aceleração dos fluxos de informações, capitais, mercadorias e pessoas.
Os fluxos de globalização não atingem o espaço geográfico por igual, mas principalmente os lugares que recebem maiores investimentos em infraestrutura. Por que isso ocorre? O que diferencia a atual expansão capitalista das etapas anteriores? É o que estudaremos a seguir.
O QUE É GLOBALIZAÇÃO
A globalização é a continuidade do longo processo histórico de mundialização capitalista, que vem ocorrendo desde o início da expansão marítima europeia. Assim, a globalização é o nome que se dá a atual fase de mundialização do capitalismo: ela está para o atual período informacional como o colonialismo esteve para sua etapa comercial e o imperialismo para a industrial e financeira.
Ao atingir o atual período informacional, o capitalismo integrou países e regiões do planeta num único sistema, formando o chamado sistema-mundo. A globalização é um fenômeno que tem várias dimensões: além da econômica, a mais evidente e perceptível, também possui a social, a cultural e a política, entre outras de menor impacto. Entretanto, todas essas dimensões se materializam no espaço geográfico em suas diversas escalas: mundial, nacional, regional e local. Os lugares estão conectados a uma rede de fluxos, controlados a partir de poucos centros de poder econômico e político. Entretanto, não são todos os lugares que estão integrados ao sistema-mundo. Os fluxos da globalização se dão em rede, mas seus nós mais importantes são os lugares que dispõem dos maiores mercados consumidores e das melhores infraestruturas - hotéis, bancos, Bolsas de Valores, sistemas de telecomunicação, estações rodoferroviárias, terminais portuários, aeroportos, etc. Estão, sobretudo, nas cidades globais e na rede urbana por elas polarizadas, localizadas predominantemente nos países desenvolvidos e em alguns países emergentes: Nova York, Londres, Tóquio, Paris, Frankfurt, Hong Kong, Cingapura, Xangai, Sydney, Cidade do México, São Paulo, Buenos Aires, etc. São, ao lado dos parques tecnológicos, os principais exemplos de meio técnico-científico-informacional de que falava o geógrafo Milton Santos.
A ATUAL EXPANSÃO CAPITALISTA
Atualmente, ao contrário do que ocorreu nas demais etapas do capitalismo, sua expansão não se inicia pela invasão e ocupação territorial. Por exemplo, nas etapas colonialista e imperialista do capitalismo, o controle do território onde seriam explorados os recursos naturais era fundamental.
Com uma ou outra exceção, na era da globalização a expansão capitalista é silenciosa, sutil e ainda mais eficaz. Trata-se de uma "invasão" de mercadorias, capitais, serviços, informações e pessoas. As novas "armas" são a sedução pelo consumo de bens e serviços e a agilidade e eficiência das telecomunicações, dos transportes e do processamento de informações, graças aos satélites de comunicação, à informática, à internet, aos telefones (fixos e celulares), aos aviões, aos supernavios petroleiros e graneleiros e aos trens de alta velocidade.
A "guerra" acontece nas Bolsas de Valores, de mercadorias e de futuros em todos os mercados do mundo e em todos os setores econômicos. As estratégias e táticas são traçadas nas sedes das grandes corporações transnacionais, dos grandes bancos, das corretoras de valores e de outras instituições, e influenciam quase todos os países. Entretanto, muitas vezes as estratégias e táticas dos dirigentes das grandes corporações, principalmente do setor financeiro, se mostraram arriscadas, gananciosas e/ou fraudulentas. Isso ficou evidente na crise econômico-financeira que eclodiu no mercado imobiliário/financeiro norte-americano em 2008.
FLUXO DE CAPITAIS ESPECULATIVOS E PRODUTIVOS
A "invasão" mais típica da globalização é a dos capitais especulativos de curto prazo, conhecidos como hot money, que em busca de alta lucratividade no curtíssimo prazo, movimentam-se com grande rapidez pelo sistema financeiro mundial conectado on-line. Com os avanços tecnológicos na informática e nas telecomunicações, o dinheiro tornou-se virtual, isto é, bites exibidos nas telas dos computadores, e passou a circular livremente.
Grande parte desses recursos pertence a milhões de pequenos poupadores espalhados, sobretudo pelos países desenvolvidos, que guardam seu dinheiro num banco ou investem num fundo de pensão, para garantir suas aposentadorias. Essa vultosa soma é transferida de um mercado para outro, de um país para outro, sempre em busca das mais altas taxas de juros dos títulos públicos ou da maior rentabilidade das ações, das moedas, etc. Os administradores desses capitais - como bancos de investimentos e corretoras de valores - em geral não estão interessados em investir na produção, cujo retorno é demorado, mas em especular, isto é, realizar investimentos de curto prazo nos mercados mais rentáveis.
Os capitais especulativos são prejudiciais às economias à medida que, quando algum mercado se torna instável ou menos atraente, os investidores transferem seus recursos rapidamente, e os países onde o dinheiro estava aplicado entram em crise financeira ou veem-na se aprofundar. Isto aconteceu, por exemplo, com o México (1994), os países do Sudeste Asiático (1997), a Rússia (1998), o Brasil (1999), a Argentina (2001) e a Grécia (2010).
Além de investirem em títulos públicos ou em moedas, grande parte dos capitais especulativos, assim como uma parcela dos investimentos produtivos, direciona-se para as Bolsas de Valores e de mercadorias espalhadas pelo mundo, investindo em ações ou mercadorias. Pode-se investir em ações de forma produtiva, esperando que a empresa obtenha lucros para receber dividendos pela valorização: ou investir de forma especulativa, comprando ações na baixa e vendendo-as assim que houver valorização, embolsando a diferença e realizando o lucro financeiro. Pode-se também especular com mercadorias e com moedas.
A circulação dos capitais produtivos é mais lenta porque são investimentos de longo prazo, por isso menos suscetíveis às oscilações repentinas do mercado. Sendo investimentos diretos na produção de bens e serviços ou em infraestrutura, esses capitais são aplicados em determinado território e possuem uma base física (fábrica, usina hidrelétrica, rede de lojas, etc.). Instalam-se em busca de lucros, que podem ser resultantes de custos menores de produção em relação ao país de origem dos investidores, baixos custos de transportes, proximidade dos mercados consumidores e facilidades em driblar barreiras protecionistas.
A EXPANSÃO DAS TRANSNACIONAIS

As transnacionais ou multinacionais são empresas que desenvolvem uma estratégia de atuação internacional a partir de uma base nacional, em seu país-sede, que é onde está seu "quartel-general". O governo do país-sede dessas empresas, em geral lhes dá o suporte econômico e político na concorrência internacional. Isso porque, embora grande parte das operações dessas empresas se dê fora do país-sede, as decisões estratégicas, o controle acionário e mesmo a maior parte dos gastos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) permanecem no território do país onde está sua base. Além disso, a maior parte dos lucros obtidos pelas filiais do exterior fica no país-sede, contribuindo para seu enriquecimento.
A maioria das empresas transnacionais está sediada nos países desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos. Entretanto, já há muitas transnacionais sediadas em países emergentes.
Algumas transnacionais cresceram tanto que possuem um faturamento maior que o PIB da maioria dos países do mundo, o que lhes assegura muito poder econômico e político. Poder econômico para controlar e manipular mercados visando ao aumento de seus lucros; poder político para interferir nos governos em benefício de seus interesses. Embora as transnacionais gerem empregos, renda e impostos nos Estados onde se instalam, muitas vezes algumas delas desrespeitam as leis que lhes são desfavoráveis e não demonstram preocupação com a saúde pública, a preservação do meio ambiente e as condições de trabalho de seus empregados.
O país emergente que mais está se expandindo pelo mundo, seja comprando empresas nacionais, seja montando novos negócios, é a China. Companhias controladas pelo governo chinês estão comprando empresas privadas no mundo todo. Portanto, a tendência é que cada vez mais empresas transnacionais de países emergentes, sejam privadas, seja, estatais, ganhem espaço no mundo globalizado.
FLUXOS DA SOCIEDADE GLOBAL
Os fluxos da sociedade global expressam-se pela grande conectividade e deslocamento de capitais, informações e pessoas por todo o planeta.
Fluxos Econômicos
Os fluxos econômicos na sociedade global apresentam-se por meio do deslocamento de capitais, empresas, mercadorias e investimentos. Com os avanços proporcionados no âmbito dos meios de transporte e comunicação, a economia mundializou-se e passou a integrar todas as diferentes partes do mundo, embora de maneira desigual e hierárquica.
Os principais fluxos que acontecem no âmbito atual do Capitalismo Financeiro e Informacional são os de capitais. Todos os dias uma quantidade muito grande de dinheiro circula em todo o mundo na forma de bits de computador, sem, na maioria dos casos, materializar-se totalmente. Na verdade, estima-se que a maior parte de todo o capital existente não se encontre mais na forma de dinheiro impresso.
Os chamados “capitais especulativos” encontram-se no centro desse processo. Muitas vezes, os investidores preferem concentrar-se em títulos, juros de dívidas públicas e privadas, ações e outros para valorização e posterior arrecadação. Com isso, o retorno é mais rápido, embora a ausência de investimentos na produção proporcione uma série de prejuízos em termos internacionais.
A circulação de “capitais produtivos” também é bastante relevante para a economia global. Ela ocorre por meio de investimentos em determinados setores da atividade econômica, tais como fábricas, comércios, lojas etc. Outra forma é o deslocamento das próprias empresas, que migram para países onde os fatores locacionais são mais vantajosos. Em algumas indústrias de empresas multinacionais, a produção é dividida em várias fábricas, cada uma localizada em uma parte do mundo, com a montagem acontecendo em um local igualmente distinto.
Fluxos de Informações
Os principais meios que permitem a difusão dos fluxos de informações são o rádio, a TV, as revistas, jornais e, principalmente, a internet. Em termos de comparação, um acontecimento importante na Europa do século XVIII levava dias ou até meses para ser informado em outros territórios. Atualmente, eventos com a mesma relevância ou até menos importantes são informados em todo o mundo quase que em tempo real.
Com isso, gera-se um acúmulo muito grande de dados e informações sobre os mais diversos elementos e acontecimentos existentes no mundo. Todavia, o acesso a esses sistemas ainda é muito limitado e desigual, de forma que a maior parte desses fluxos obedece a um círculo privilegiado de pessoas.
Fluxo de Pessoas
Por extensão aos avanços tecnológicos provocados ao longo do século XX e início do século XXI, o fluxo internacional de pessoas também vem se intensificando na era da globalização atual. A expansão desse fluxo acontece de duas formas: o turismo e a migração.
O turismo é a atividade do setor terciário que mais vem crescendo no planeta, com milhões de pessoas se deslocando todos os anos sob os mais diferentes interesses. Com isso, as cidades receptoras e também os meios de transporte vão se adequando a essa realidade, o que resulta na modernização de seus respectivos sistemas de recepção, deslocamento e hospedagem, gerando cifras milionárias em termos de lucros e produção de riquezas.
As migrações internacionais também se intensificam no planeta e configuram-se sob muitos aspectos. Muitas migram por razões humanitárias, sociais, econômicas e afetivas, muito embora existam muitas barreiras estabelecidas pelos países para conter esse processo. É muito comum a migração de pessoas de um país para outro (muitas vezes por meios ilegais) em busca de maior geração de renda e oportunidades. 
Os noticiários nos mostram todos os dias o desespero das pessoas refugiadas que fogem das guerras em busca da paz e de uma vida mais digna. Nem sempre as fronteiras são abertas para eles. Cabe aqui uma reflexão sobre os refugiados da Síria e de outros países em guerra.
Este vídeo é um resumo do texto
Fonte: SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização. 2 ed. São Paulo: Scipione. 2014.
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/fluxos-sociedade-

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